*As eleições em Angola à luz de um contencioso.

67* As eleições em Angola à luz de um contencioso.

Em democracia as divergências existem e servem para estimular o debate político de maneiras a facilitar a população votante na escolha da proposta mais convincente. As campanhas em muito ajudam a cativar o público-alvo. E é por aí, onde as figuras públicas devem ser aproveitadas para atrair os indecisos ou cépticos. Algo que o partido no poder tem feito com reconhecida inteligência, ao contrário dos partidos da oposição, que não têm sabido explorar a popularidade das mesmas. Convém lembrar que as tais figuras públicas, não promovem atos políticos gratuitamente. Há uns tantos a queixarem-se falta de actividades cultural e outros afins, mas que não são tidos nem achados pela oposição e quando fazem para o partido no poder, no caso, o MPLA, ainda são acusados de bajuladores, quando na verdade muitos deles agem como verdadeiros profissionais, ao fazerem campanha a base de um cachet, o resto é conversa fiada! Também devemos dizer em abono da verdade, que a maioria dos analistas políticos que foram convidados para comentarem sobre as diferentes campanhas, não fizeram que prejudicar os partidos da oposição, acusando-os de terem propostas não exequíveis, paradoxalmente, o candidato do partido no poder saiu imaculado, antes porém, só recebeu elogios, quando o certo e no âmbito da transparência, todos os partidos concorrentes deveriam ser criticados e elogiados, exercício que em muito ajudaria os menos abalizados na matéria para melhor separar o trigo do joio! Tal a dualidade de critérios, suscitou desconfianças aos partidos da oposição, levando-os a esbarraram-se em suspeitas, e assim, disparar críticas para todos os lados (até os cegos foram atingidos neste fogo cruzado), tanto mais que ao longo da divulgação dos resultados provisórios, bebeu-se muita água! Houve mesmo contencioso, mas faltaram provas irrefutáveis para a validação da contestação. É imperioso para a nossa democracia, evoluirmos ao reconhecer-se a vitória do nosso adversário político, num puro exercício de humildade para com a população votante que precisa ver para acreditar que votar na oposição não é uma ameaça a estabilidade, sim uma opção para promover o empenho em benefício do povo.

Crónica de: Jonas Nazareth