*A verdade das inverdades.

61* A verdade das inverdades.

Uma verdade ainda que amarga, deve ser dita, porque seu efeito acaba por produzir um sentimento de justiça. Já a mentira pode distorcê-la de tal maneira, que causa um efeito de injustiça a quem nela se sente visado. São muitos os que fazem o uso da mentira para dirimirem limitações ou constrangimentos que a verdade assim os impõe. Porém, uma mentira tem consequências por vezes aterradoras, e em que, em alguns casos inverte a justiça em detrimento da vítima, no caso. No orgasmo da guerra na síria Serguey Lavrov – político da Rússia, em uma das suas intervenções anuiu: – Antes uma mentira, que uma meia verdade! A frase em si é propensa de várias interpretações enquanto causa, e de capacidade para propiciar facções entre partes beligerantes, como efeito da mesma. O certo é que a guerra na síria está longe de terminar, mas que, a cada dia, morrem pessoas vítimas dela. Ainda sobre verdades e inverdades, um antigo dirigente desportivo português, no caso, Pimenta Machado, imortalizou uma máxima com um axioma de redondeza filosófica, ao dizer: – O que hoje é verdade, amanhã pode não ser! Dizer que, as interpretações continuam e haverão de continuar a ser interpretadas conforme a análise individual de cada um, e em uns casos, por mutilação da verdade, a vítima pode passar a vilão, em outros casos e por distorção dela, o vilão pode ser consagrado em vítima, e ainda noutros casos, sobretudo quando a mentira, infelizmente for pintada de perfeição, obviamente influenciará a opinião de quem consumir a mesma. Portanto, dos casos mais não menos vergonhosos da verdade das inverdades, apesar das mil razões para destrinçar exemplos no seio das sociedades, os da política nos servem como reparo, se nos concentrarmos nas campanhas dos concorrentes, e em que, em muitos casos, são ou se vêem obrigados a fazerem promessas longe da capacidade de cumprimento, neste diapasão, a verdade é reduzida em incerteza por parte da população votante, porque em muitos casos, estes anseiam melhorias milagrosas, paradoxalmente, só possível na ficção!? A maturidade, honestamente falando, a população africana ainda não adquiriu, daí que votam, mais por influência, que propriamente por consciência da sua visão política de acordo os candidatos concorrentes.

Crónica de: Jonas Nazareth