Antes tarde que nunca!

África é um corpo inerte onde cada um vem debicar seu pedaço de carne (Dr. Agostinho Neto) por ocasião de uma cimeira dos países da união africana (OUA). Varridos os abutres, eis que nos vemos forçados a enfrentar os chacais, estes mais sujos nos seus propósitos, pois tudo comem e nada deixam, próprios filhos de África, mas sem o pudor de trair seus próximos. Irascíveis nas suas condutas, pouco se importam quantos ainda têm de matar para alcançarem o poder absoluto. Mal conseguimos reduzir a pobreza extrema, mal conseguimos proporcionar em abrangência a educação, saúde e justiça aos respectivos países, mas os chacais de que falamos, transformam o erário público em cofre familiar, onde cada um debica a seu bel-prazer as receitas públicas. E como alguns, assim entrou em cena Yahya Djammeh ex, presidente da Gâmbia, derrotado nas últimas eleições livres, depois de vinte e dois anos no poder, por onde, ao contrário de desenvolver seu país, antes orientou-se pelo caminho da blasfémia, por vezes agindo por impulsos que só o poder das armas assim permite. Tardiamente, mas eficazes, os líderes africanos saídos de sufrágios transparentes, impediram os excessos que há muito vinha acontecendo em África sem que ninguém os impedisse?! Felizmente, e como prenúncio de um futuro mais rigoroso, África se uniu para impedir que uma vez mais a democracia fosse banalizada. Goradas que ficaram as péssimas intenções do ditador, que depois de esfarelar todas suas teorias de ameaças, abandona finalmente sua terra natal a Gâmbia, onde deveria permanecer em paz e harmonia, agora não poderá fazê-lo por má conduta e abuso de poder, por ter digerido mal a derrota nas urnas, por não ter sabido respeitar a decisão do seu próprio povo. Sai (exila-se) para dar lugar ao novo presidente Adama Barrow, vencedor e eleito recentemente no vizinho Senegal. Deverá agora o atual presidente, procurar fazer melhor que seu antecessor para uma Gâmbia melhor e para uma África mais democrática.